Pretérito Imperfeito, B. Kucinski

Pretérito Imperfeito é o novo livro de Bernardo Kucinski, que se apresenta como B. Kucinski. O autor que publicou seu primeiro romance aos 74 anos aborda em seu novo trabalho a adoção.

Um casal que não pode ter filhos, vislumbra na adoção de uma criança a realização de um sonho. O pai é o narrador principal do livro e o primeiro capítulo traz a tona uma carta endereçada ao filho. No momento em que a carta é finalizada a localização do filho é incerta. O livro é dividido em capítulos, algo comum nas obras de Kucinski e conta com a fala da Mãe em alguns momentos.

O que em seu início transborda amor e encantamento, mesmo com o filho pequeno passando por alguns tratamentos um pouco intensos para sua pouca idade, com o avançar dos anos e das páginas acaba por dar lugar a um sentimento estranho, de distanciamento e dúvida. Uma das questões principais que permeia a adoção diz respeito a paternidade biológica da criança. No decorrer dos capítulos o Pai acaba se questionando sobre o motivo de seu filho ter sido abandonado, bem como as condições de saúde em que a criança foi concebida, já que o problema de saúde enfrentado de acordo com os médicos tem causa genética.

O início da adolescência e a posterior entrada na vida adulta é um dos temas que dá sustentação ao desenvolvimento do livro. Uma jornada de autodestruição com o uso de drogas e alguns pequenos furtos, já que o vício não se sustenta por si.

Neste período surgem questionamentos mais aprofundados e o pai passa a consultar especialistas em áreas diversas para tentar dar um significado a tudo o que seu filho está vivendo. Uma espécie de caminho a traçar para compreender a razão de tudo aquilo.

Internações, tratamentos e conversas. As opções encontradas parecem não surtir o efeito desejado e o jovem sempre acaba se envolvendo em algo, ou voltando a utilizar drogas. Certa feita o pai age com energia e diz ao filho que caso o mesmo tornasse a causar problemas, que esquecesse ali o laço que os uniam. Foi o que aconteceu.

Arrependimento e mais dúvidas. Alguns sinais de onde o filho possa estar. Uma viagem é feita para localizá-lo. Sim, ele está lá. Anos passaram.

A carta então, acaba por entrar em cena. O reencontro. Pai, Mãe e Filho novamente juntos. A vontade em ajudá-lo. Um pensamento ponderado. A volta dos pais para casa.

O filho e seu processo de autoconhecimento.

O afastamento necessário.

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Nada Easy, de Tallis Gomes.

Empreender por si só é um grande desafio. Empreender no Brasil, com sua alta carga tributária é algo que faz até o mais otimista pensar duas vezes, mas Tallis Gomes, fundador da Easy e da Singu, compartilha conosco em Nada Easy (O passo a passo de como combinei gestão, inovação e criatividade para levar minha empresa a 35 países em 4 anos) que é possível, mesmo em meio a tanta adversidade criar um negócio de impacto em nosso país.

O livro escrito por Tallis, revisita sua infância ao nos mostrar como se deu o interesse pelo universo dos negócios (a história para a compra de uma bateria mostra uma criança inquieta, que soube identificar uma oportunidade), além de mostrar a importância de seu Avô e de sua Avó em sua formação, na construção de valores sólidos, como a força de acreditar nos sonhos e seguir por caminhos que nem sempre são os mais comuns.

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O livro é dividido em 10 capítulos, em que o autor se propõe a abordar temas pertinentes ao universo do empreendedorismo de forma clara, sem firulas, até para tirar um pouco do glamour que em algumas ocasiões costuma acompanhar os criadores de companhias disruptivas e que acabam por promover uma série de mudanças no mundo como o conhecemos. O livro é uma espécia de guia para quem está as turras tentando decidir se determinada ideia é viável ou não.

O autor destaca a importância de se cercar de profissionais de alto nível. Uma ideia boa na mão de pessoas ruins, pode se tornar algo bonitinho, mas uma ideia que é boa na mão de um time de alto nível pode se tornar algo incrível. Foi se cercando de pessoas assim que Tallis Gomes levou a Easy Taxi para mais de 35 países. Foi dessa forma que Tallis ao lançar a Singu, em um momento de muita dúvida e incerteza no cenário econômico do país, chamou a atenção de um dos fundadores do Hotel Urbano (que inclusive escreve o prefácio do livro), para fazer parte da sociedade. O entusiasmo em criar algo novo, o brilho nos olhos e a paixão por realizar de Tallis acabaram por fisgar José Eduardo Mendes.

Em um cenário muitas vezes adverso a paixão em criar algo de impacto faz com que os obstáculos sejam superados. Tomemos como exemplo o caso da própria Singu, criada no decorrer de um período profundo de crise econômica e política.

Como dito acima, o livro funciona como uma espécie de guia, apresentando ao leitor etapas variadas do processo de criação de uma empresa. Leitura muito interessante para quem tem o empreendedorismo correndo em suas veias.

Nossas Noites, Kent Haruf.

São pouco mais de 140 páginas, que estão divididas em 43 capítulos, a maioria deles, curtos.

O livro, nos brinda com a história de Addie e Louis, dois idosos que resistem ao aparente abandono de Holt e vivem sozinhos. Os filhos crescidos seguem suas vidas em outro lugar e os respectivos companheiros, Carl e Diane faleceram.
Certa manhã, Addie se dirige a casa de Louis para lhe fazer um convite. Ela está nervosa e não sabe se dará conta de concluir seu plano.

O convite feito a Louis é para que ele aceite passar as noites com Addie, apenas para que possam conversar e que ela possa sentir sua presença na cama. Não há neste convite maldade alguma, é apenas algo feito com vistas a espantar a solidão, normal em alguns casos para quem está na casa dos 70 anos.

Louis estranha, mas fica de pensar e caso aceite irá ligar para Addie. Convite aceito, ele se prepara e se dirige a casa. Escolhe um caminho alternativo para que não seja visto, pois quer evitar que seu nome circule entre os vizinhos. Ao bater na porta dos fundos, é recebido por Addie que questiona a razão de evitar a porta principal. Louis explica o interesse por preservar o acontecimento apenas entre eles.

A resposta dada é uma das principais lições que se pode tirar após finalizar a leitura do livro. Não devemos nos importar com que os outros falam e/ou pensam de nós. Addie e Louis não estão fazendo nada de errado. São pessoas livres, mas é possível que em algum momento a preocupação com o olhar alheio nos impeça de fazer as coisas.

Louis começa a se afeiçoar a Addie e as noites compartilhadas se tornam mais frequentes. Eles conversam madrugada adentro, buscando conhecer um ao outro cada vez mais, respeitando obviamente alguns temas mais delicados que são tratados com o avançar do livro. Neste meio tempo de descobertas, em que algumas pessoas da vizinhança já tem conhecimento do que ocorre, a filha de Louis vem o visitar e logo questiona se o pai pretende levar isso adiante. Ele diz que sim, embora sua filha esteja contrariada.

Ao passo que o filho de Addie também aparece em dado momento para deixar seu filho com a Avó, já que vive em constante pé de guerra com sua esposa. O menino Jamie ficará sob a tutela de sua Avó por algumas semanas, já que o filho precisa trabalhar e sua esposa mudou de casa, com vistas a espairecer os pensamentos.

Durante os dois, três primeiros dias Louis evita ir a casa de Addie, para não causar muito impacto, mas logo Jamie e Louis são apresentados e nasce aí uma bonita amizade. Logo, Louis volta a frequentar a casa de Addie e o menino que nas primeiras noites sofria com pesadelos, torna-se uma pessoa mais tranquila e ganha a companhia de Bonny, uma cadela adotada de um canil.

A convivência entre os três é pacífica e cheia de momentos alegres e afetuosos. Circulam pela cidade e fazem inúmeros passeios. Logo, anunciando que tentariam mais uma vez, o filho de Addie vem buscar Jamie, que a esta altura já dormia bem e não sofria mais com pesadelos. O filho insiste para que a mãe deixe de encontrar Louis, pois não há sentido algum aos olhos dele que isso aconteça. A mãe resiste.

A partir desse capítulo, a trama acaba por se desenrolar nos atos do filho chantageando a mãe, para que ela não se encontre mais com Louis, que ao seu ver está apenas interessado em seu dinheiro. Em momento algum passa pela cabeça de seu filho que a mãe redescobriu o prazer de ter uma companhia, redescobriu a alegria em ter alguém para conversar e dividir sua vida. Um pequeno acidente decorrente de uma queda na rua, faz com que Addie precise ser internada e o filho toma providências para que a mãe vá embora de Holt, indo morar próximo a Denver. Louis acaba tomando conhecimento do acidente e da mudança ao ir até a padaria e decide ir visitar Addie, mesmo que contra a vontade dela, já que lhe faltaram poucas opções a não ser negar o que estava vivendo para ter contato com o neto, já que de seu filho não guardava mais nada a não ser tristeza.

Nos cinco minutos que são concedidos a Louis pelo filho controlador de Addie, lágrimas escorrem e o reencontro é tomado por emoção, embora ela não queira deixar transparecer para irritar o já contrariado filho. Louis a questiona, pois ela sempre teve consigo força e razão suficientes para enfrentar a opinião alheia e agora encontrava-se fragilizada. Mais uma vez, o medo de perder o contato com o neto a fez ceder. Louis sai do hospital e volta a sua residência.

A noite, o telefone toca. Addie do outro lado da linha pergunta como estão as coisas, como estão sendo os dias. A casa em que morava foi alugada e segundo Louis os vizinhos são pessoas de bem, mas na cabeça dele, aquela sempre será a casa de Addie, assim como a casa em que viveu Ruth, personagem que aparece em alguns capítulos e vem a falecer, sempre será a casa de Ruth. A partir desta ligação, pode-se entender que aquilo terá sequência e que Addie está disposta a recomeçar o que teve de ser interrompido.

Nossas noites é um livro de linguagem fácil, sem firulas. Você pode ler em uma porção de horas. Uma história incrível que mostra que o amor é um ‘remédio’ poderoso. Um livro que te ensina (volto a dizer) que nós não devemos nos importar com o que os outros pensam de nós. Simples? Aparentemente sim, mas é nas coisas mais simples que nós tropeçamos.

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Marmitas Frias, Ricardo Terto

Embora tenha o costume de ler gêneros variados, gosto muito de crônicas. Admiro muito quem consegue colocar elementos de fantasia em fatos do cotidiano, ou ainda aqueles escritores que fazem ligações com o improvável.

Conheci Ricardo Terto através de um post do Anderson França, em que algumas pessoas faziam uma comparação entre ambos, pelo fatos de escreverem sobre o dia-a-dia. Desde então, não deixei de acompanhar suas reflexões e provocações. Recentemente, Terto lançou pela Editora Lamparina Luminosa uma compilação com seus textos, publicados em sua maioria no Facebook, um palco bacana pra publicação de ideias, mesmo que existam algoritmos que nem sempre lhe entregarão os conteúdos que aprecia.

Enfim :).

Marmitas Frias aborda questões cotidianas. Situações que muitos de nós passam. Aquela média que as pessoas gostam de fazer pros Chefes em determinadas ocasiões (especialmente no aniversário), as correrias que temos que fazer pra bancar nossas contas, a dificuldade de se locomover no metrô da linha amarela, naquelas passarelas que beiram o infinito, uma conversa com a Dona Morte enquanto se está no banco do Cemitério da Consolação, lembranças da infância, lembranças de como somos destemidos durante essa fase mágica da vida, o olhar de quem está atento ao que acontece a sua volta.

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O texto é envolvente, a maneira como Terto escreve te deixa ansioso para ler a próxima crônica e em um dia você lê o livro todo e acaba por ficar meio perdido, se perguntando como pode ter acabado tão rápido.

Um livro pra degustar devagar. Cada história é uma marmita.
Cada uma com seu tempero, com sua temperatura, com seu sabor.

Mudanças.

Quando criei este espaço, tinha como intenção compartilhar impressões de alguns livros que vinha lendo e que julgava ser interessante compartilhar com o mundo. Comecei tentando replicar algo próximo do que eu costumava ler em outros locais.

Parei e percebi que as coisas não estavam fluindo lá muito bem, já que não conseguia imprimir certa identidade ao que estava escrevendo. Fiquei um bom tempo afastado e agora pretendo manter uma frequência melhor de textos, com algo que eventualmente possa ao menos despertar a curiosidade das pessoas para que leiam os livros :).

E os textos estarão um pouco mais simples, mas acredito que conseguirão passar uma mensagem bacana.

Obrigado!

William A.

Rio em Shamas – Anderson França, Dinho

Tomei conhecimento dos textos de Anderson França por meio de uma indicação de outro baita escritor. Ricardo Terto. Escritores que fazem uso das redes sociais para compartilhar sua mensagem com um sem fim de pessoas. A internet e suas diversas possibilidades.

Bom pra nós.

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O Dinho é do Rio de Janeiro e o Terto é de São Paulo. Ambos escrevem a sua maneira sobre a realidade que vivem, sobre a cidade em que vivem e sobre fatos pontuais que agitam a nossa vida (se tratando de Brasil, é pauta que não acaba mais). O Dinho reuniu suas melhores crônicas e elas deram vida a um belísssimo livro, Rio em Shamas, que saiu no ano passado pela Editora Planeta. Uma pena que o livro não tenha tido lançamento em São Paulo (não que eu me lembre ao menos).

Mas engana-se quem achar que por Dinho ser do Rio de Janeiro, os textos são repletos de bairrismos. São reflexões e observações que se aplicam perfeitamente a diversos lugares.

A forma como Dinho compartilha conosco suas impressões, nos faz pensar em como alguém escreve tão bem. Texto bem fluído :).

Rio em Shamas diverte. Rio em Shamas arranca sorrisos. Rio em Shamas incomoda. Dinho é gente da gente. Dinho passa perrengue. Dinho é batalhador. E o melhor de tudo. Dinho tá logo ali, numa página do Facebook. E é uma coisa fantástica saber que podemos encontrar seus textos e crônicas a poucos cliques de distância.

Bom pra nós!

Aproveitem e leiam os textos do Ricardo Terto também!

 

1933 foi um ano ruim – John Fante

Tenho tendência a gostar muito de livros que apresentam certa ‘potência’ em suas primeiras palavras.

“Foi um inverno ruim aquele de 1933. Uma noite, arrastando-me para casa através da neve infernal, os dedos dos pés ardendo, as orelhas em fogo, a neve rodopiando ao meu redor como um bando de pássaros irados, estaquei no meio do caminho. Era chegada a hora de fazer um balanço. Com bom ou mau tempo, certas forças no mundo estavam em ação tentando me destruir.

Dominic Molise, eu disse, aguente firme. Tudo está andando de acordo com o planejado? Examine sua condição com cuidado, faça um levantamento imparcial da sua situação. O que está acontecendo, Dom?

Lá estava eu em Roper, Colorado, ficando mais velho a cada minuto. Em seis meses eu estaria com dezoito anos e formado no secundário. Eu tinha um metro e sessenta e dois de altura e não havia crescido um só centímetro em três anos. Tinha pernas cambotas, pés virados para dentro e orelhas pontudas como as do Pinocchio. Meus dentes eram tortos, e meu rosto era sardento como um ovo de passarinho.”

Dominic Molise é filho de um pedreiro que não trabalha há cinco meses (muito em conta pelas condições de tempo que interferem diretamente no desempenho de sua função) e sua mãe é uma dona de casa fervorosamente religiosa. Dom, também o fora, mas agora mantinha um pequeno distanciamento.

“Senhor, eu disse, porque naqueles tempos eu era um crente que falava francamente com seu Deus: Senhor, qual é? É isso que você quer? É para isso que você me pôs no mundo? Eu não pedi para nascer. Não tenho absolutamente nada a ver com isso, exceto que estou aqui, fazendo perguntas justas, quais as rações disso tudo, então me diga, me dê um sinal: é esta a minha recompensa por tentar ser um bom cristão, por doze anos de doutrina católica e quatro anos de latim? Alguma vez duvidei da Transubstanciação, da Santíssima Trindade ou da Ressurreição? quantas missas perdi nos domingos e dias de guarda? Senhor, você pode contar nos seus dedos.

Está fazendo um jogo comigo? As coisas estão desgovernadas? Você perdeu o controle? Lúcifer está de volta ao poder? Seja honesto comigo, porque tenho andado perturbado. Me dê uma pista. A vida vale a pena? Tudo vai ficar bem?”

1933 foi um ano ruim, é um livro baseado em traços autobiográficos do autor, John Fante.

Na história, Dominic em contraposição a vida simples que leva com seus pais, irmãos e a avó ranzinza, a única na casa a exceção dos pais a ter um quarto para si, tem uma motivação pouco comum para seguir em frente. Seu braço esquerdo.

Dom é jogador de beisebol, um arremessador dos bons. O sonho de jogar em uma grande liga o faz suportar as agruras da vida simples e sem luxos que leva junto de sua família.

“Mas O Braço me fazia ir em frente, aquele querido braço esquerdo, a coisa que eu mais amava. A neve não podia machucá-lo, e o frio não podia penetrá-lo, porque eu o mantinha empapado de unguento Sloan, um frasquinho no meu bolso o tempo todo, eu exalava aquele odor cáustico de pinho, mas eu saía orgulhosamente, sem sentir vergonha, consciente do meu destino, insensível às zombarias dos garotos e às narinas tapadas das garotas.”

Em sua casa, as coisas não andam muito bem. O pai durante o período que não consegue emprego, sustenta a família com o dinheiro ganho em jogos de sinuca. Por este motivo, costuma passar os dias fora de casa, o que levanta suspeitas da mãe.

” – Você esteve  no centro esta noite? – perguntou
– Fui ao cinema. Não  o vi.
– Quem? – ela perguntou inocentemente.
– Papai.
– Ele perdeu dez dólares na noite passada.

…..

– Vão mulheres lá? – mamãe perguntou.
Ela perguntava isso constantemente, e eu sempre dizia que não, mas ela sabia que era o contrário. O Onyx era um botequim de jogo com um bar na frente e  mesas de sinuca e pôquer nos fundos, atrás de uma divisória. Não era permitido mulheres na sala de trás, mas no bar elas eram tão numerosas quanto os homens.

….

Eu sabia. Ela não conseguia expressá-lo: suspeitava que meu pai andasse de caso com alguém. Parecia uma ideia muito batida – o velho papai, pai de quatro filhos, um pedreiro sem trabalho e tentando arranjar um troco no bilhar, assumindo o problema adicional de ter uma outra mulher. A simples verdade era que meu pai não gostava muito de mulheres. Nem da sua própria mãe, e certamente que não da sua esposa.”

Dom sonhava com as glórias de uma carreira bem sucedida no beisebol. Imaginava páginas e mais páginas de uma biografia escrita para saudar o filho pródigo de Roper. Aquele que superando as adversidades venceu e cravou seu nome na história.

A caminhada rumo ao êxito esportivo conta com Ken Parrish, um garoto de família rica que talvez seja o único amigo de Dom. Ken é um jogador comum, mas que julga estar acima da média. A amizade entre os dois é permeada por alguns conflitos, coisa pertinente a juventude.

Ambos planejam uma mudança, para que possam tentar a vida como jogadores de Beisebol, mas enquanto Ken dispõe de condições, Dom por sua vez precisa encontrar uma forma de financiar sua aventura rumo a uma vida melhor. Seu Pai, possui uma máquina para misturar cimento, que devido a falta de trabalho e ao clima de inverno está encostada. A máquina mesmo sendo velha, tem algum valor e Dom arquiteta um plano para fazer algum dinheiro vendendo-a. A primeira tentativa acaba por falhar, mesmo contando com a ajuda de Ken, que pegou emprestado de seu Pai um caminhão.

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A tentativa fracassa e neste meio tempo Dom é proibido de falar com Ken, passando a ser considerado uma má influência. A esta altura do jogo, ele começa a considerar a oportunidade de trabalhar com seu Pai durante um tempo, até mesmo para que possa juntar algum dinheiro. Dessa forma, dentro de um ano ele poderá enfim lutar por seu objetivo. E qual é sua surpresa ao passar por um lugar e notar semelhança em algo que vê.

Seu Pai, após uma longa conversa com seu filho acaba por vender sua máquina, talvez um dos poucos bens de valor que ainda possui para ajudar Dom na tão falada viagem. Dom tenta desesperadamente comprar a máquina novamente e meio que sem desacreditar o que aconteceu cai em prantos.

Toma ciência que agora terá que dar certo de um jeito ou de outro.